Facetas laminadas desgastam os dentes?
Na maioria dos casos, sim: as facetas laminadas exigem um pequeno preparo do esmalte, a camada externa do dente, para criar espaço para a peça. A quantidade varia conforme o caso e pode ser mínima ou nula em situações favoráveis. O esmalte removido não se regenera, por isso o preparo deve ser planejado para ser o menor possível.
Por que o dente é preparado
Uma faceta tem espessura. Se for colada sobre um dente que já ocupa todo o espaço disponível, o resultado é um dente mais volumoso, com aparência artificial e um "degrau" junto à gengiva que acumula placa. O preparo existe para que a faceta ocupe o lugar do esmalte removido, e não um espaço a mais.
Quanto se remove
Não há um número único. Depende de quatro fatores:
- Posição do dente: dentes projetados pedem mais preparo; dentes inclinados para dentro, menos ou nenhum.
- Mudança de cor desejada: mascarar um dente escuro exige uma peça mais espessa.
- Forma final planejada: se o desenho acrescenta volume, o preparo diminui.
- Material: cada cerâmica tem uma espessura mínima de trabalho.
Por que ficar no esmalte faz diferença
A colagem ao esmalte é mais forte e mais estável do que a colagem à dentina, a camada interna do dente. Um estudo retrospectivo com 580 facetas acompanhadas por até 12 anos encontrou sobrevivência de 99% quando o preparo ficou restrito ao esmalte, e observou que facetas coladas em dentina tiveram cerca de dez vezes mais chance de falhar (Gurel e colaboradores, 2013).
Na prática, isso significa que preservar esmalte não é só uma questão de conservar o dente: é o que sustenta a durabilidade do tratamento.
Como o planejamento reduz o preparo
O preparo guiado parte do resultado final. Primeiro se define o desenho do sorriso; depois, esse desenho é levado à boca como uma prova (mock-up). O dentista prepara através dessa prova, removendo esmalte apenas onde falta espaço. Em áreas onde o desenho já acrescenta volume, nada é tocado.
Sem esse guia, o preparo tende a ser uniforme, e por isso maior do que o necessário em boa parte do dente.
O tratamento é reversível?
Quando há preparo, não. O dente passa a depender de uma restauração naquela face para o resto da vida, e a faceta poderá precisar ser substituída no futuro. É uma decisão que merece ser tomada com informação e sem pressa.
E as facetas "sem desgaste"?
Existem e são uma boa opção em casos selecionados, como dentes pequenos ou com espaços. Não são uma técnica universal. Veja a comparação em faceta ou lente de contato dental.
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O preparo para facetas causa sensibilidade?
Quando fica restrito ao esmalte, a sensibilidade costuma ser pequena e passageira. Preparos mais profundos aumentam esse risco.
Vou ficar com os dentes 'lixados' enquanto espero as facetas?
Entre o preparo e a cimentação são usadas facetas provisórias, que protegem os dentes e mantêm a estética.
Dá para colocar facetas sem anestesia?
Em preparos mínimos ou ausentes, às vezes sim. A decisão é tomada caso a caso, priorizando o seu conforto.
Referências científicas
- Gurel G, Sesma N, Calamita MA, Coachman C, Morimoto S. Influence of enamel preservation on failure rates of porcelain laminate veneers. Int J Periodontics Restorative Dent. 2013;33(1):31-39. https://doi.org/10.11607/prd.1488
- Layton DM, Walton TR. The up to 21-year clinical outcome and survival of feldspathic porcelain veneers: accounting for clustering. Int J Prosthodont. 2012;25(6):604-612. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/23101040/
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